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Hermínio Elorza: “Uma figura emblemática!”

Hermínio Elorza: “Uma figura emblemática!”

Um dos personagens mais emblemáticos da história política de Osvaldo Cruz, certamente foi Hermínio Elorza. Construtor, chegou à Osvaldo Cruz nos primeiros anos da década de 1940 sendo, portanto, considerado um dos nossos pioneiros. Foi o responsável por grandes construções, dentre elas, a Casa de Saúde Dr. Taves e o pontilhão da Avenida Paraguai, hoje, Avenida

Um dos personagens mais emblemáticos da história política de Osvaldo Cruz, certamente foi Hermínio Elorza. Construtor, chegou à Osvaldo Cruz nos primeiros anos da década de 1940 sendo, portanto, considerado um dos nossos pioneiros. Foi o responsável por grandes construções, dentre elas, a Casa de Saúde Dr. Taves e o pontilhão da Avenida Paraguai, hoje, Avenida Dr. Miranda. Aquele pontilhão era de madeira.

Desde a sua chegada, dava mais importância à camada mais pobre da cidade. Por seu temperamento humilde, tinha uma identificação muito grande com essa parcela da população, principalmente a que residia na zona rural.

Logo se sentiu atraído pela política. Candidatou-se a vereador na primeira eleição realizada no município, em 1947. Não se elegeu, mas ficou como primeiro suplente. Naquela gestão, assumiu a vereança em um certo tempo por conta de pedidos de licença de alguns vereadores. Em 1951, disputou a Prefeitura concorrendo com outros dois candidatos, Breno Ribeiro do Val e Octaciano Pereira de Andrade. Certamente, se tivesse somente um concorrente, venceria fácil.

Conta-se que, não aceitando a derrota, Hermínio pediu a anulação da eleição junto ao Juiz de Direito da Comarca de Lucélia, a qual Osvaldo Cruz pertencia. Conta-se também, que as testemunhas dos dois lados foram até aquela cidade na carroceria de um caminhão, vestidos de terno e gravata. Viajaram sob um sol escaldante e receberam muita poeira. Na época, a estrada era de terra e muito ruim. No fim, o Juiz não atendeu ao pedido do postulante.

Finalmente, em 1955, em nova eleição, Hermínio Elorza foi eleito Prefeito de Osvaldo Cruz. Seu vice foi o ex-prefeito Orlando Bergamaschi. Sua gestão não teve uma relação amigável com a Câmara. Mesmo assim, Hermínio se consolidava como um líder político. Sua esposa, dona Rosa, que sempre o acompanhava, era chamada de “mãe dos pobres”.

Sua Administração colocava medo na oposição, por conta do estreito relacionamento que Hermínio tinha com a camada menos favorecida. Os políticos sabiam que ele seria um forte candidato em qualquer eleição.

Sabendo do desejo das populações dos distritos de Salmourão e de Sagres, em terem seus territórios emancipados, políticos oposicionistas ao Prefeito de Osvaldo Cruz apoiaram a emancipação dos Distritos. Queriam, com isso, minar a chance de Hermínio vencer as eleições nas quais participasse.

Em fevereiro de 1959, os distritos foram emancipados. Na eleição de 1959, Hermínio Elorza apoiou o candidato a prefeito, Osvaldo Martins, contra o ex-prefeito Breno Ribeiro do Val, que o derrotou em 1951. Logo após a eleição daquele ano, Hermínio e Osvaldo romperam relações.

Em 1963, Hermínio se candidatou a prefeito e foi eleito. Naquela eleição quatro candidatos disputaram o cargo. O voto para o prefeito não era vinculado ao do vice, isto é, podia se votar no candidato a prefeito de um partido e no vice de outro partido.

Hermínio assumiu o mandato no dia primeiro de janeiro de 1964. No dia 31 de março daquele ano, acontece a revolução ou golpe, que colocou os militares do poder.

A partir daí, começaram as perseguições à políticos e pessoas considerados de esquerda. Muitas prisões e assassinatos foram realizados. Os assassinatos aconteceram de ambos os lados. Em Osvaldo Cruz, muitas pessoas foram presas.

Aproveitando o clima hostil que existia no país, no dia 25 de abril, a Câmara se reuniu e cassou o mandato do prefeito Hermínio Elorza, sob várias alegações, entre as quais, a de que ele pregava a luta de classe e que incentivou a greve dos funcionários públicos municipais, que estavam sem receber há vários meses, além de participar da passeata dos funcionários, que portavam cartazes com dizeres contra aquele estado de coisas e de realizarem um panelaço. O movimento aconteceu no fim do mês de novembro de 1963, portanto, depois das eleições. Dos 15 vereadores, 11 votaram a favor do impeachment. Três foram contra e o presidente não votou. Hermínio recorreu. No dia da posse do vice, o povo se aglomerou na frente da Prefeitura. O clima estava quente. De repente, surge Hermínio Elorza de posse da decisão do Juiz de Direito dando-lhe ganho de causa. Aquilo foi uma ducha de água fria para seus adversários. Eles foram se retirando do local em silêncio.

Porém, a pressão para a renúncia teve início. Diante disso, dois de seus filhos seguiram viagem à São Paulo em busca de apoio do Governador Adhemar de Barros. Foram pela Rodovia Marechal Rondon, pois tinham medo de serem presos se fossem pela João Ribeiro de Barros. No dia 29 de abril, vereadores e até o Delegado de Polícia foram até a casa de Hermínio com a carta de renúncia pronta para ser assinada. Consta que o Delegado encostou o cano de revólver no peito do prefeito. Disseram que, se ele não a assinasse, seria preso e a família sofreria perseguições. Sem alternativa, assinou, mas pediu que a carta fosse lida na sessão da Câmara. O que foi feito.

No dia 30 de abril, Hermínio Elorza renunciava ao cargo de prefeito. No dia 1 de maio, o vice, Nelson Rodrigues, assumia o cargo.

Hermínio Elorza vendeu a casa e foi para São Paulo com a família. Em 1968, voltou para Osvaldo Cruz e se candidatou a prefeito no município de Salmourão, sendo eleito.

Em 1972, não podendo se candidatar, por não se descompatibilizar do cargo de prefeito de Salmourão, lançou sua mulher à vereadora, sendo ela a primeira vereadora de Osvaldo Cruz.

Hermínio Elorza morreu sem ter grandes posses. Por ironia do destino, a praça que fica na frente da Prefeitura, da Casa da Agricultura e do antigo fórum, que tinha o nome de “Praça 31 de Março”, hoje se chama “Praça Hermínio Elorza”.

8 comentários

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8 Comentários

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    Fernando José garmes
    12 de janeiro de 2021, 2:17 AM

    Rosa Raimundo Elorza era irmã da minha mãe Isaura. Aliás meus tios Hermínio e Rosa eram meus padrinhos de Batismo. Tenho orgulho de ser sobrinho e afilhado deles. Eu era um menino de 16 anos quando da cassação do mandato dele via extorsão da assinatura dele na carta de renúncia capitaneada por um delegado de polícia. Meus tios não tinham grandes posses, venderam às pressas o sobrado da avenida Brasil e foram para São Paulo, zona leste , levando os cinco filhos – roberto , ruth, reinaldo. Zé carlos e cidinha. Foi um período muito difícil para eles necessitando de ajuda dos familiares principalmente dos meus avós José e Ana. Lá eu sei que eles sofreram muito. A vida lhes foi difícil principalmente pela saudade dos amigos e do povo ordeiro da urbe que eles ajudaram formar e viram crescer. Foram para Salmourão onde tio Hermínio foi eleito prefeito, voltando a exercer sua profissão de construtor. Mudaram novamente para Oswaldo Cruz época em que estando a passeio na casa da Ruth em São Paulo tia Rosa infartou e veio a falecer. Algum tempo depois também em São Paulo tio Hermínio faleceu. Roberto, o filho mais velho também já se foi. Reafirmo o meu orgulho que tenho pelos meus tios Hermínio/Rosa e penso que as autoridades constituídas de Oswaldo Cruz devem, mesmo que tardiamente, reparar o mal que lhes foi cometido, esclarecendo a verdade em sessão pública da câmara municipal. Fernando jose garmes. Rg 3854025, promotor de justiça aposentado.

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    Ari Botelho
    12 de janeiro de 2021, 8:40 AM

    Bom dia Tadeu! Parabéns pelo texto! Boas lembranças para a história de Oswaldo Cruz!!!

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    Rosa Maria Ferreira66
    12 de janeiro de 2021, 2:44 PM

    Seu Hermínio e dona Rosa foram pra mim os melhores.
    Sua casa era a casa do povo.
    Grandes panelões no fogão e o pão com mortadela q jamais faltava.

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    Ângela Galhardo
    12 de janeiro de 2021, 5:50 PM

    Nasci em Osvaldo Cruz, nunca soube desses acontecimentos políticos, saí muito cedo e não me interessava por política. Graças a vc estou tomando conhecimento da história da nossa cidade…muito interessante, e parabéns também por mais essa informação. Obrigada 😉🙏🏻

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    Mirian Moreno Elorza
    13 de janeiro de 2021, 1:37 PM

    Orgulho! Esse é o sentimento maior que tenho quando lembro de meu avó. Um político de alma e virtude, que tinha o povo, principalmente os mais humildes e necessitados, como essência de suas ações.
    Não vou entrar no mérito da questão e discussão nacional do que ocorreu em 64 no país, se foi um golpe ou uma revolução, o que sei com a mais absoluta certeza é que em Osvaldo Cruz ocorreu sim um covarde e torpe golpe. Uma família inteira ameaçada pela força do revólver e que teve a vida, da noite para o dia, totalmente alterada. O povo o elegeu de forma democrática e os ardilosos sem o poder da palavra o derrubaram pela força bruta. Concordo com meu primo, Fernando Garmes, que existe uma dívida da cidade pelo o que fizeram com meu avó. A herança que eles nos deixou foi o imenso orgulho por ter sido um político honesto, coisa tão difícil de se encontrar nos dias de hoje.
    Pra finalizar não poderia deixar de falar do meu amor pela minha avó Rosa, a mãe dos pobres. Mas é tanto pra dizer que sugiro ao Tadeu uma postagem especial pra esse exemplo de mulher, uma primeira dama como realmente deve ser, voltada e dedicada aos carentes e necessitados. Obrigada, Mirian

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