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Aeroclube de Osvaldo Cruz

Aeroclube de Osvaldo Cruz

Em 1943, chega a Osvaldo Cruz um jovem de origem suíça vindo da cidade goiana de Anápolis. Seu nome, Ernesto Moliet. Acompanhado de sua jovem esposa também suíça, Erondina, mais conhecida como dona Nenê, Ernesto veio trabalhar na Organização Comércio-Industrial Max Wirth Comissária Exportadora S/A, na função de Gerente. Dona Nenê era enfermeira e parteira.

Em 1943, chega a Osvaldo Cruz um jovem de origem suíça vindo da cidade goiana de Anápolis. Seu nome, Ernesto Moliet. Acompanhado de sua jovem esposa também suíça, Erondina, mais conhecida como dona Nenê, Ernesto veio trabalhar na Organização Comércio-Industrial Max Wirth Comissária Exportadora S/A, na função de Gerente. Dona Nenê era enfermeira e parteira. Ela foi muito importante como agente de saúde em nossa cidade.

O casal logo granjeou muitos amigos, sendo figuras constantes nas atividades sociais.

Em Lucélia já havia sido fundado o Aeroclube, em 1943. Osvaldo Cruz não podia ficar atrás.

Mesmo com pouco tempo de permanência em nossa cidade, Ernesto Moliet liderou um movimento visando a Fundação do Aeroclube de Osvaldo Cruz.

Aproveitando uma Organização criada no início da década de 1940, a Campanha Nacional de Aviação ou CNA, a qual tinha por objetivo a doação de aviões ou dinheiro e materiais que servissem para a compra ou construção de aviões, ampliação de hangares ou construção de campos de pouso para os chamados Aeroclubes.

A par disso, além de doar aviões e fomentar a criação de Aeroclubes, a intenção da CNA também era a de consolidar a aviação civil no País, assim como procurava, com a formação de pilotos, dar uma constante movimentação no espaço aéreo brasileiro, visando monitorar os sobrevoos de aviões inimigos no nosso território, já que estávamos em plena segunda guerra mundial.

Aproveitando o incentivo dado pela CNA, Ernesto resolveu marcar uma reunião para tratar da fundação do nosso Aeroclube.

Convidou dezoito pessoas importantes na cidade. Dessas, compareceram doze. A reunião aconteceu no Bar e Sorveteria Takeda, que ficava onde, hoje, está instalado o SICCOB Paulista, na esquina da Avenida Presidente Roosevelt com a Rua Armando Sales e ocorreu no dia 8 de Setembro de 1945. Os participantes foram: Ernesto Moliet, Luiz Pereira Borges, que foi o primeiro Presidente, Fortunato Petrini, Antonio Augusto de Almeida Junior, Félix Castilho Dias, Higino de Paula Brandão, Dr. João Grande de Mello, Spartaco Astolfi, Alexandre Mendonça Mello, Francisco Ardito,José Carmona Morales e José Alvarenga.

O passo seguinte, foi encontrar um terreno que servisse para se construir o campo de pouso. O terreno, de 900 m X 90 m, foi doado por Max Wirth, que é considerado como o fundador da cidade.

Coube a Orlando Bergamaschi fazer o levantamento do terreno e fazer a planta do campo de pouso, assim com um hangar para abrigar quatro aeronaves.
Para se construir o hangar, foi feita uma campanha para arrecadar fundos. Depois de pronto, o hangar recebeu o nome de Hangar ” Hans August Schweizer”.

Ao mesmo tempo em era fundado o Aeroclube, já começou a se pensar em uma sede social. Ela foi inaugurada no dia 3 de Agosto de 1946, funcionando no pavimento superior do prédio de número 622, da Avenida Presidente Roosevelt, onde, hoje, funciona a Ótica Veja.

Para comemorar a inauguração, foi realizado um baile com o conjunto “Jazz para Todos”, da cidade de Marília. Na ocasião, já se pensava em uma sede própria.
No dia 31 de Agosto de 1946, por ato oficial do Ministério da Aeronáutica, o Aeroclube de Osvaldo Cruz foi autorizado a funcionar.

O primeiro avião foi doado pela Campanha Nacional de Aviação em Dezembro de 1947 e foi um avião Paulistinha.

A Escola de Pilotagem foi criada no dia 26 de Fevereiro de 1948, pelo Diretor Geral da Aeronáutica, tendo as aulas iniciadas em Março do mesmo ano, com onze alunos. O Instrutor era Ermínio Barbosa de Morais, que havia chegado recentemente à cidade.

Todos alunos que tiravam o brevê tomavam um banho de óleo queimado e tinham que caminhar em via publica. À noite, era servido um jantar no restaurante do João Turco, que ficava na esquina da Avenida Presidente Roosevelt com a Rua 15 de Novembro, onde, hoje, funciona a Rotisserie Nona Dulce, para comemorar.

Em 1950, pela estatística da Diretoria da Aeronáutica, existiam quase trezentos Aeroclubes cadastrados no Brasil; porém, só cento e oitenta estavam em funcionamento. No total de horas voadas, o de Osvaldo Cruz se classificou em setuagésimo (70º) lugar. Pelo aproveitamento médio por aeronave, o Aeroclube se classificou em décimo sétimo lugar no Brasil e em segundo no Estado.

Ainda em 1950, em comemoração ao quinto anos de existência do Aeroclube de Osvaldo Cruz, teve uma revoada com aviões dos Aeroclubes de todo o Estado. Também houve um baile, onde foi coroada a vencedora do concurso “Miss Asa”, senhorita Dalva Saes.

Em 1951, o primeiro voo solo feminino realizado na Alta Paulista foi realizado pela senhorita Getulina Farah, de Osvaldo Cruz.

Um fato que pontificou a existência do Aeroclube de Osvaldo Cruz aconteceu em 1952, quando houve a sua participação na revoada Salgado filho, no Aeroporto San Justo, em Buenos Aires, quando foram enviados três aeronave das quatro que possuía. Na época, tal revoada foi considerada como a maior realizada internacionalmente naquele ano.

Em 1955, o Aeroclube começou a dar sinais de decadência. A sede social encerrou as suas atividades e o Aeroclube começou a diminuir a movimentação.
Em 1956, o instrutor Ermínio Barbosa de Moraes assumiu temporariamente o Cartório de Registro de Imóveis e Anexos. Com isso, o Aeroclube ficou abandonado, pois não foi encontrado um substituto para o instrutor.

Com o abandono, o mato foi tomando conta do campo de pouso e os instrumentos aeronáuticos foram se perdendo, até o campo de pouso ser interditado.

Outro fato que contribuiu com a decadência da Aeroclube foi o encerramento, nos primeiros anos da década de 1950, da Campanha Nacional de Aviação.
No início da década de 1960, foi tentado reerguer o Aeroclube. Uma Diretoria foi composta,sendo eleito Presidente Paulo Ribeiro; porém não houve o devido apoio e o campo de pouso serviu, por algum tempo, de local para o desembarque de mercadorias contrabandeadas, até ser definitivamente interditado pela polícia.

Do Aeroclube não restou nada, nem o estatuto, livro de atas e outros documentos, além dos quatro aviões. Só algumas fotos podem contar a sua história.

Mas uma coisa não sai da lembrança da criançada da época. O avião que passava jogando folhetos de propaganda e a meninada correndo e gritando: Joga papel! Joga papel!

Tadeu Lassen

4 comentários

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4 Comentários

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    Fatima Elorza de Moraes Santos
    19 de fevereiro de 2021, 10:25 AM

    Que lembrança boa!!!! Muito feliz seu artigo. Meu amado pai!!!!

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    Maria Lucia Pinez Fernandes
    19 de fevereiro de 2021, 11:42 PM

    Meu irmão tirou brevê.Ele fava do banho de óleo e tb do jantar c Quibe do turco.

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    Roberto murbach
    22 de fevereiro de 2021, 8:23 PM

    sou filho de Jefferson Murbach esta na foto formação do aeroclube muito bom rever a historia estava tbm no banho de oleo .

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    roberto murbach
    23 de fevereiro de 2021, 11:06 AM

    filho de geffersom murbach

    Erminio Erlosa meu padrinho de batismo

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